Parlamentares próximos de Arthur Lira (PP-AL) afirmaram ao Bastidor que o o presidente da Câmara desconfia que a bateção de cabeça do governo Lula na articulação política não seja só inabilidade, mas também um método para postergar discussões, se eximir de responsabilidades e adiar liberações de emendas e nomeações de potenciais aliados.

Os aliados de Lira usaram como exemplo as mudanças feitas por senadores no texto do novo arcabouço fiscal. Além das alterações do relator Omar Aziz (PSD-AM), feitas a revelia do Palácio do Planalto, o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), acrescentou uma emenda que pode render à gestão petista uma folga de até R$ 40 bilhões no orçamento de 2024.

Combinada com o governo, a sugestão de Randolfe não foi discutida antes com Lira e corre o risco de ser derrubada pelos deputados. As lideranças petistas na Câmara afirmam que a prioridade é justamente a emenda e que as mudanças propostas por Aziz, se mantidas pelos deputados, serão lucro.

Para dois aliados de Lira, faltou alguém do governo que tomasse às rédeas da discussão e apontasse as prioridades nas duas Casas. Um deputado disse que a emenda de Randolfe poderia ter saído da Câmara aprovada no texto do relator Cláudio Cajado (PP-BA), se tivesse sido negociada com líderes do Centrão.

O parlamentar lembra ainda que a postura do governo, de indefinições sobre o que deve constar ou não no novo arcabouço fiscal, é uma repetição das negociações sobre troca de ministérios, indicações para cargos e liberação de verbas. “É sempre culpando e jogando a responsabilidade para o outro”.