O Brasil se surpreendeu com a decisão da Venezuela de querer anexar parte do território da Guiana, numa disputa que chegou a ser “arquivada” anos atrás por Hugo Chávez. O governo culpou a falta de informação pelo rompimento de relações diplomáticas com Caracas, decidido pelo governo Bolsonaro. Mas, segundo uma fonte do governo, é apenas parte da verdade.

Os Estados Unidos sabiam do interesse de Nicolás Maduro de retomar a disputa por Essequibo, território reivindicado há séculos. Tanto que, segundo disse uma fonte do Palácio do Planalto ao Bastidor, os americanos realizam exercícios militares na região há poucas semanas.

Um deles, inclusive, contou com a presença de militares do Brasil. Ao todo, 1,5 mil homens, entre americanos e brasileiros, participaram dos exercícios no Amapá no início de novembro.

Segundo essa fonte, não faltou comunicação do Itamaraty nem das Forças Armadas ao governo. Faltou a Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais de Lula, acreditar na seriedade com que Maduro vinha tratando tema, o que só ocorreu após sua viagem a Caracas.

Os EUA levaram a sério as ameaças e trataram de fazer exercícios na Guiana. O interesse americano ocorre porque Exxon-Mobil foi quem descobriu as reservas de petróleo e quem explora os campos na Guiana.