Aliados do governo federal afirmam que a derrota na votação do projeto que suspende trechos de decretos de Lula sobre saneamento não reflete o tamanho da base parlamentar na Câmara.

Na noite de quarta-feira (3), o Palácio do Planalto teve apenas 136 votos contra 295. Entre os que contrariaram o desejo do governo estão deputados do MDB, PSD, PSB e União Brasil. A derrota se soma à retirada de pauta do PL das Fake News por medo de fracasso.

Logo após o resultado, integrantes da base aliada que se posicionaram contra o governo difundiram a versão de que o revés não significa que o governo foi derrotado, mas que concordou em perder. Falam em “consenso” na derrubada.

Também argumentam que se terá ideia do tamanho da base de sustentação em votações como a do novo arcabouço fiscal e da reforma tributária. Ou quando o governo liberar dinheiro para emendas dos deputados ao orçamento.

Como mostrou o Bastidor, após uma conversa com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), Lula autorizou a liberação de emendas parlamentares que estavam paradas desde a aprovação da PEC da Transição. Lira saiu da reunião com a promessa de que o governo será mais ágil nos pagamentos e nas nomeações de indicados.

Os casos de MDB, PSB e PSD são diferentes da situação do União Brasil, que foi unânime contra o governo na matéria. A bancada do PT alertou o Palácio que a relação com o partido tende a tensões permanentes.

Entre petistas, corre a crença de que as emendas são capazes de assegurar a maioria do MDB e do PSD a favor do governo. Avaliam também que parte do Republicanos e, em menor escala, o PL podem votar com o governo em alguns casos.