Em dois dias, Lula e Jair Bolsonaro vão se encontrar no debate da Band. Por começar mais cedo, faltarem duas semanas para a eleição e estarem apenas os dois, o encontro tende a atrair mais audiência. Conviria, portanto, que os dois lados observassem as pesquisas.
Desde o primeiro turno, os resultados destoam do tom da campanha. Apesar da gritaria nas propagandas e redes sociais, os resultados seguem estáveis (leia aqui e aqui). Em todas as pesquisas divulgadas durante a semana, Lula e Bolsonaro mantiveram praticamente o mesmo percentual – as pequenas variações ficaram dentro das margens de erro.
Se unirem o que mostram as pesquisas, o horário do debate que pode propiciar maior audiência, o pequeno número de indecisos – na casa de 2% a 4%, a depender do levantamento – e de brancos e nulos – até 6% – e as informações de pesquisas qualitativas, que mostram esgotamento do eleitor com a disputa agressiva, Lula e Bolsonaro se preparariam para um debate diferente.
Ambos levariam propostas para apresentar aos eleitores e tentar convencer os indecisos. A reclamação mais comum das campanhas eleitorais é sempre que candidatos só brigam e nada apresentam como soluções. Este ano, contudo, a agressividade não é coisa de dois meses, mas de quase quatro anos. O eleitor realmente parece cansado.
Há outro fator a se levar em conta: de acordo com as pesquisas, grande parte vai votar por exclusão. Ou seja: não vota em Lula ou Bolsonaro por ser seu preferido, mas para não reeleger o outro.
Contudo, dificilmente ocorrerá um debate de propostas. O formato do debate prevê um bloco que os candidatos responderão a perguntas de jornalistas. Nos outros dois blocos, Lula e Bolsonaro farão perguntas entre si. Bolsonaro treinou até o tom de voz para irritar Lula. Lula vai ao debate disposto a responder a acusações de corrupção. Portanto, já se sabe o que vai acontecer.

