A articulação do presidente Lula está confirmando o que já suspeitava: não há abertura na oposição para conversar sobre temas de interesse do governo no Congresso. Parlamentares bolsonaristas resistem a negociar qualquer assunto – mesmo com a sugestão implícita de que haveria troca de favores.
As tentativas malsucedidas de aproximação do governo envolvem a instalação de CPIs (8 de janeiro e ONGs) e a possível indicação do advogado Cristiano Zanin ao Supremo. Ao menos dois congressistas que assinaram as CPIs recusaram ofertas do Planalto para retirar os nomes dos requerimentos. A barganha envolvia cargos e emendas.
Os pedidos de abertura das Comissões Parlamentares de Inquérito alcançaram o número de assinaturas necessárias para a instalação. O Palácio do Planalto atuou para esvaziar as CPIs, mas, até o momento, sem sucesso.
Na próxima semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), lerá o requerimento da CPMI do 8 de janeiro, algo que já ocorreu com a CPI das ONGs.
No caso de Zanin ou de outro nome indicado ao Supremo, a oposição ao governo Lula no Senado usa o número de assinaturas nas CPIs (37 nos dois casos) para dificultar a aprovação. No entanto, como basta conquistar a maioria absoluta de votos (41 dos 81 senadores), os parlamentares da base aliada consideram aprovar o nome do advogado do presidente ao STF mais simples.

