O debate na TV Globo produziu memes, brigas e farto material para partidários dos candidatos enxergarem vitórias. Contudo, não foi o suficiente para garantir que eleitores indecisos levarão Lula a vencer no primeiro turno, no domingo, ou adiarão mais um pouco o fim do processo eleitoral.
A eleição será definida no VAR. Se Lula vencer no primeiro turno será por uma pequena margem; se não atingir a maioria dos votos válidos, também será por uma pequena margem. O dramático para Jair Bolsonaro é que isso não se dará por obra sua, mas dos outros candidatos.
Se a eleição for ao segundo turno terá sido porque os eleitores de Ciro Gomes e de Simone Tebet decidiram ficar como eles, a despeito da campanha do PT pelo voto útil e da campanha bolsonarista de demonização de Lula e do PT. Nem Lula, nem Bolsonaro foram capazes de convencê-los a mudar, ainda que eles saibam que seus candidatos não têm chance.
A campanha de Bolsonaro aposta em mais do mesmo nestes últimos momentos. Nas próximas 48 horas vai investir na viralização do bate-boca de Lula com o candidato padre Kelmon, do PTB, braço de Bolsonaro no debate. É mais uma tentativa de bater em Lula com a fake news da perseguição religiosa. Pode funcionar com eleitores religiosos, mas eles já são bolsonaristas.
A equipe de Lula vai investir mais ainda no voto útil. Lula tem a vantagem do efeito cansaço, detectado pelas pesquisas. Eleitores preferem que a eleição termine logo, pois estão cansados da acirrada disputa entre os dois. Além de rejeitarem os candidatos, os eleitores rejeitam o próprio processo e querem se livrar dele.

