Embora tenha sido o autor do parecer que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o vice-procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, é deixado de lado na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça, no Senado. Como esperado, a maior parte dos senadores, sobretudo os da oposição, concentra perguntas no ministro Flávio Dino, indicado ao Supremo Tibunal Federal.

Gonet e Dino têm mantido postura tranquila. O futuro procurador-geral da República se esquiva dos questionamentos mais incisivos sobre o processo contra Bolsonaro. Chegou a dizer que não teria tempo, na sabatina, para descrever as quase 40 páginas das alegações finais que convenceram o Tribunal Superior Eleitoral contra o ex-presidente.

Ao assumir a PGR, Gonet poderá retomar uma tradição que foi deixada de lado por Augusto Aras, a de participar ativamente dos julgamentos da Justiça Eleitoral. O PGR é quem tem a prerrogativa principal para ajuizar ações junto ao TSE, embora possa delegar a função a um subprocurador.

Para evitar constrangimentos, Aras preferiu deixar Gonet à frente das ações eleitorais em 2022. O então PGR apenas participou de alguns eventos formais no TSE, sem se aprofundar nos julgamentos importantes da corte eleitoral, como o caso da inelegibilidade de Bolsonaro.

O entendimento de Gonet a respeito das ações de Bolsonaro, portanto, é bem conhecido. Mas, para atacar Dino, a incapacidade técnica e política dos senadores de oposição, impede a possibilidade de esclarecer se ele poderá mudar de opinião em futuras ações contra o ex-presidente e os aliados em futuras ações, seja no TSE ou mesmo perante o Supremo Tribunal Federal.