A forma como o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores reagirão à operação Verine, da Polícia Federal, ainda serão combinadas em uma reunião na sede do PL, em Brasília. Aliados, no entanto, já investem na versão que a ação é uma vingança do governo Lula pela derrota no PL das Fake News e pela visita do ex-presidente à Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

Tudo seria uma espécie de perseguição política por medo de Bolsonaro. É mesma versão que pretendem usar para as ações em tribunaissuperiores.

A decisão de não depor à Polícia Federal nesta quarta-feira, mesmo sendo intimado, foi tomada pelos advogados de Bolsonaro, sem intromissão do PL.

O Bastidor já mostrou que, desde a volta ao Brasil, o PL discute como o ex-presidente deve se portar. Os integrantes não-bolsonaristas querem que Bolsonaro evite ataques ao Judiciário e à impressa. Os bolsonaristas defendem que ele inicie logo as motociatas para mostrar força política e intimidar o STF e o TSE.

Um ex-ministro de Bolsonaro acredita que o mandado de busca e apreensão contra o ex-presidente não foi uma medida judicial, mas uma armação para seus adversários medirem a temperatura antes de um eventual pedido de prisão.

A operação da PF, diz um deputado bolsonarista, pode ser o gatilho para o ex-presidente finalmente assumir o papel de principal líder da oposição.

Como é comum, Bolsonaro e aliados foram pegos de surpresa com a operação nesta quarta-feira (3). Ser alvo de uma operação da PF, diz um aliado, sempre foi uma possibilidade considerada por Bolsonaro, mas não agora.

A PF, que prendeu o tenente-coronel Mauro Cid, além dos militares Max Guilherme e Sérgio Cordeiro, investiga uma suspeita de falsificação de ados na carteira de vacinação do ex-presidente e de sua filha, Laura.

Bolsonaro, sua defesa e aliados estavam voltados ao caso das joias e à possibilidade do ex-presidente ficar inelegível a partir de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral.