Não foi espontâneo o retorno das críticas ao ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro. É, na verdade, parte de uma estratégia para manter engajada a ala mais radical de seus apoiadores.

Dois foram os motivos para a preocupação com o grupo: sua filiação ao PL e a ascensão de Sergio Moro como pré-candidato a presidente.

De acordo com um aliado mais íntimo do presidente, o movimento era necessário para manter ao seu lado o grupo mais duro de aliados.

Ainda segundo o aliado, fugiu aos olhos da imprensa, mas faz tempo que o presidente tem mobilizado seus apoiadores.

Ele lista: discurso na ONU com informações falsas ou distorcidas sobre desmatamento e Covid-19; a fala sobre a prova do Enem ter a cara do governo; a declaração sobre a indicação de dois ministros evangélicos para o STF e a alegação da necessidade de ter “os nossos” na Corte; a briga com a Anvisa por causa do passaporte da vacina; e a dicotomia entre liberdade e morte.

Ao voltar a atacar o ministro Alexandre Moraes, diz o interlocutor do presidente, Bolsonaro constrói outra vacina para além de sua preocupação permanente com o inquérito das fake news que tem, além dele, o filho Carlos entre os alvos, mas também com a repercussão do relatório da CPI da Pandemia.

Para o presidente, o STF vai querer repercutir o documento saído da CPI justamente no ano de eleição para prejudicá-lo.