ACM Neto, presidente do DEM e pré-candidato ao governo da Bahia na eleição do ano que vem, está enfrentando uma crise no partido com a debandada de políticos para o PSD de Gilberto Kassab. Mas no âmbito local, um aliado também pode ser a dor de cabeça em 2022.
Próximo do presidente do DEM, Teobaldo Costa era pouco conhecido. Ele é dono do Atakadão Atakarejo, rede de supermercados investigada pela Polícia da Bahia em dois homicídios ocorridos em abril. Além do problema criminal, entidades de defesa dos direitos humanos pedem indenização de R$ 200 milhões em ação civil pública contra a empresa por prática de racismo.
As duas vítimas de homicídio – Yan e Bruno Barros, tio e sobrinho – foram acusados de furtos no Atakadão Atakarejo em Salvador. Eles teriam sido entregues em 26 de abril por seguranças da empresa a traficantes. Uma operação policial prendeu oito suspeitos, incluindo três seguranças que trabalham no supermercado.
Em nota, o Atakarejo informou que afastou os seguranças suspeitos, não tolera violência, manifesta total solidariedade às famílias das vítimas e vai continuar colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
O empresário Teobaldo Costa foi o candidato do DEM à prefeitura de Lauro de Freitas no ano passado, mas perdeu para a petista Moema Gramacho. Sua proximidade com ACM Neto vai além das fotos e encontros políticos e sociais. Ele doou R$ 5 mil à campanha da reeleição de ACM Neto a prefeito de Salvador em 2016.
O Atakarejo também recebeu R$ 43,5 milhões com dispensa de licitação sob a justificativa do enfrentamento à pandemia em 15 contratos para fornecer cestas básicas ao município de Salvador, de maio de 2020 a março de 2021.
Costa e ACM Neto foram procurados, mas não comentaram o assunto.

