Jair Bolsonaro só pensa em eleição e tem pesadelos com pesquisas eleitorais. Uma de suas principais preocupações quando está acordado vem de informações de aliados no Congresso: a inflação está tirando o efeito da troca do nome Bolsa Família (marca de Lula) por Auxílio Brasil (marca de Bolsonaro).
O governo criou o Auxílio Brasil tardiamente, para ajudar famílias pobres afetadas pela pandemia. Ao perceber o óbvio potencial eleitoral, estendeu sua vigência, aumentou seu valor e extinguiu o Bolsa Família. O que os aliados dizem a Bolsonaro é que o aumento foi engolido pela inflação, o que faz com que os eleitores não percebam a diferença para o Bolsa Família.
Esta seria a explicação para os resultados adversos nas pesquisas de intenção de voto, que mostram que até beneficiários do Auxílio preferem votar no ex-presidente Lula.
Em público, Bolsonaro até tenta aliviar a pressão de coisas assim sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes. Recentemente até o defendeu, dizendo a um deputado que Guedes já fez o que podia para conter a inflação e culpou a conjuntura internacional.
Mas, no interior dos gabinetes, Bolsonaro não acredita muito neste discurso. De acordo com uma fonte do Planalto, o presidente perguntou a Guedes numa reunião recente se era possível o governo subsidiar alimentos para conter a carestia.
A resposta do ministro foi que a redução de impostos – ou a sua isenção – já são um tipo de subsídio e que já ocorre na cesta básica. Mas Bolsonaro não se convenceu. O presidente quer mais.

