Conforme revelado pelo Bastidor, o laboratório União Química, parceiro no Brasil da vacina russa Sputnik, não apresentou os requisitos mínimos ao pedir à Anvisa a autorização para uso emergencial do imunizante. Como previsto, a Anvisa se negou a analisar o pedido.
Até agora, a União Química não enviou sequer os documentos necessários para a autorização dos estudos da fase três – uma etapa que precede o pedido de uso emergencial.
Os técnicos da Anvisa estão preocupados com a pressão política e jurídica para analisar, sem condições científicas, a Sputnik. A União Química está avançando rapidamente em parcerias com estados e municípios. O governo da Bahia, por exemplo, recorreu ao Supremo contra a decisão da Anvisa de não proceder com a análise preliminar da vacina.
Os técnicos e alguns dos diretores sabem que aumentará a pressão para o uso da Sputnik conforme escasseiem as doses da Coronavac, única vacina em distribuição no país neste momento.
Como a União Química nem sequer começou os estudos da fase três no Brasil, um requisito elementar para a análise da vacina, ainda há um longo caminho a ser percorrido – a não ser que atalhos políticos e jurídicos atropelem a ciência.

