Com as pesquisas de intenção de voto com poucas alterações desde o início da campanha, Lula e Jair Bolsonaro disputam um jogo de blefes em torno dos dois próximos debates antes do primeiro turno. Existe a possibilidade de eles não se encontrarem mais em nenhum.

No sábado, 24, haverá debate no SBT, num pool com CNN Brasil Estadão, Veja e Terra. No dia 29 haverá o debate da Globo. As respostas oficiais ainda não saíram, mas Lula não deve ir ao SBT e Bolsonaro pode não ir à Globo.

Diante das amarras impostas pela lei, pelas regras e pelo poder dos marqueteiros das campanhas, os debates eleitorais brasileiros feitos no primeiro turno perderam dinamismo para o eleitor.

Lula não irá ao SBT porque é líder na pesquisa e sabe que tem mais a perder do que a ganhar. A equipe petista não diz, mas acredita que Bolsonaro será favorecido porque o ministro Fábio Faria é genro de Sílvio Santos e a emissora tem se alinhado ao presidente desde o início do mandato.

Bolsonaro não diz, mas pode não ir ao debate da Globo por motivos muito parecidos. Acredita que a emissora o persegue. Além disso, sua equipe de comunicação faz de tudo para que Bolsonaro só fale em ambientes controlados e favoráveis. Neste quesito pode caber o SBT, mas não cabe a Globo.

A Lula o debate interessa menos. Ele briga para vencer no primeiro turno. Como será atacado por Bolsonaro e por Ciro Gomes, pode ter mais a perder do que a ganhar. Se não for, será atacado da mesma forma.

Bolsonaro está na posição inversa. Tem de levar a disputa ao segundo turno, então precisa do espaço para atacar Lula o máximo possível e aumentar sua rejeição.

Para ambos, as escolhas guardam riscos. Equipes de candidatos fazem cálculos com base em pesquisas diárias feitas por telefone, redes sociais e achismos. Ir ou não ao debate não mudará a situação: a dúvida até 2 de outubro é se haverá ou não segundo turno entre Lula e Bolsonaro.