Com a concordância de Jair Bolsonaro, ficou combinado assim o 7 de setembro: ele vai ao Rio de Janeiro para um ato político separado do evento militar, embora a diferença entre os eventos seja convenientemente borrada para simular uma coisa só.
O acordo prevê também que não haverá ataques à Justiça Eleitoral, nem às urnas eletrônicas. Houve a concordância de que é necessário furar a bolha dos 30% do eleitorado e barrar a possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno.
É importante para a campanha e para Bolsonaro a demonstração de apoio popular. As imagens das ruas serão usadas para “confrontar” as pesquisas de intenção de voto, forçar o “datapopular” no qual Bolsonaro, os filhos e militantes radicais usam para desacreditar dados. O objetivo é evitar o clima de derrota e motivar os apoiadores.
Mas não é só, como já mostrou o Bastidor. Para todos os efeitos, em caso de derrota, as imagens servirão para Bolsonaro alegar uma suposta fraude na eleição – com consequências imprevisíveis.
Para garantir ruas cheias e voto, o presidente aceitou se afastar, ao menos até as eleições, das ideias de seu grupo de apoiadores mais radicais. Eles não entendem que, sem o eleitor moderado, não se ganha eleição.
O marqueteiro Duda Lima fez recentemente uma exposição a Bolsonaro demonstrando como o eleitor de centro foi fundamental para a vitória em 2018.
Até agora, Jair Bolsonaro manteve a promessa. Controlou-se no Jornal Nacional na segunda-feira e resistiu a atacar Alexandre de Moraes, chefe do inquérito das fake news, após a operação contra empresários seus apoiadores.
Nada – nem ninguém – garante que Bolsonaro vai se manter assim até 7 de setembro, nem que vá se comportar durante o evento. Pelo histórico do presidente, é provável que ele esqueça as orientações da equipe e parta para o ataque contra o TSE, Alexandre de Moraes e urnas eletrônicas.

