Há pouco, já sextando numa boa, dois dos mais experientes políticos do país conversavam sobre Eduardo Leite. Ambos sabem ganhar eleição e ajudaram a eleger presidentes – à direita e à esquerda.
Os dois concordavam – e quem discorda? – que o jovem governador gaúcho parece promissor. Mas diziam-se perplexos com a aparente ingenuidade e açodamento do ainda tucano. Referiam-se ao convite de Kassab para que Leite troque o PSDB pelo PSD, em tese para ser candidato a presidente. O governador parece inclinado a aceitar.
Um dos ilustríssimos é mineiro. Bastante gasto nas coisas da vida política, como gosta de dizer, afirmou que Leite deve ter planos de ser ministro de Lula. “O menino não pode acreditar que conseguirá ser candidato no partido do Kassab”, disse. “Se acredita que será candidato, não pode acreditar que tem alguma chance de ser eleito.”
Os dois sabem bem o quanto Kassab aposta na vitória de Lula – e o quanto o dono do PSD quer estar nessa chapa, ainda que indiretamente, via Alckmin. Nem mencionam a realidade política nos estados, já organizados entre bolsonaristas e lulistas. Ou Rodrigo Pacheco, cuja pré-candidatura já foi para o saco.
O segundo proseador – “Só não me aponte como libertino partidário nesse troço” – tem filhos na política e, talvez por isso, menos fé na acuidade estratégica do governador. “O Leite vai azedar rapidinho”, disse rindo, satisfeito com a própria sacada. “Vai perder o partido que poderia herdar e reformar (o PSDB) por um quartinho numa casa com dono (Kassab).”
A maledicência gentil dos dois reflete bem o que alguns dos principais bacanas da política enxergam no movimento de Leite. A favor do governador gaúcho, diga-se que nenhum deles viu Bolsonaro chegando. Se Leite seguir com Kassab e porventura arrebentar em outubro, terá moral para expulsá-los da mesa do poder. Ou fazer suas próprias troças.

