Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento ) estão com a responsabilidade de tentar aliviar a tensão entre o presidente Lula e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Está difícil, porém. O petista diz temer sabotagem.

Lula está certo de que Campos Neto é uma espécie de “Cavalo de Tróia no governo”. Do comando do BC, acredita o presidente, Roberto Campos Neto vai tentar sabotar o crescimento do país com juros altos até jogar a economia brasileira em recessão.

Lula vê três indícios de que o chefe do Banco Central ainda atua alinhado com Jair Bolsonaro:

  1. pertencia, ao menos até 10 de janeiro, ao grupo do WhatsApp de “ministros de Bolsonaro”, como revelado pela Folha de S.Paulo;
  2. participou do churrasco de fim de ano dos —de novo— ex-ministros de Bolsonaro – como se, em vez de independência do Banco Central, o órgão pertencesse ao governo;
  3. e, por fim, por conta do tom dos comunicados do Banco Central – seja por meio de nota, como a do Copom, seja informalmente nos encontros com agentes econômicos – aponta a “incerteza” da política fiscal como responsável por juros altos e inflação.

Apesar do tom das críticas ao Banco Central, Lula ainda não pediu qualquer retaliação a Campos Neto, diz um fonte ao Bastidor. Mas é sabido pelo seu entorno que o diálogo para a escolha de dois diretores do Banco Central pode ser encerrado.

O mandato de dois deles se encerra no fim de fevereiro e a escolha de novos nomes é prerrogativa do Executivo. Haddad, porém, está aberto a discutir com Roberto Campos Neto para uma seleção conjunta. Antes haverá uma “conversa franca”, diz a fonte.

Ainda segundo interlocutores de Lula, não há chance de o presidente querer tirar a autonomia do Banco Central, seja por meio de lei aprovada no Congresso ou por uma intervenção direta, com a ajuda do Senado, como prevê a legislação.

Para Lula, dizem seus aliados, não deixa de ser um alívio poder criticar os juros altos. Em seus primeiros mandatos —mesmo sem uma obrigação legal—, Lula garantia independência do BC, mas era cobrado a interferir e a responder pela política de juros.