Foi um sucesso a participação de Lula na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 27, na semana passada, no Egito. O trabalho agora será evitar que diferenças de visão e disputas internas atrapalhem a realização do que foi prometido.
Há uma divisão quanto à estratégia na equipe de Lula entre Marina Silva, que será a secretária especial de Clima, e o ex-chanceler Celso Amorim. Eles têm visões antagônicas.
Enquanto Marina defende abrir negociações com os países ricos, Amorim não quer fazer isso antes de montar uma coalizão Sul-Sul. Isto significa adiar conversas até que o Brasil tenha formado uma frente que incluiria duas partes: os países amazônicos e Congo e Indonésia, em defesa de florestas tropicais.
“Amorim acredita que o Brasil precisa estar fortalecido para negociar com os países ricos, mas a concepção dele não faz sentido neste contexto”, afirma o pesquisador e especialista em relações internacionais Matias Spektor. “Os Estados Unidos só fizeram concessões em meio ambiente quando ficaram isolados. E o Brasil, mesmo com esta coalização, não será capaz de isolar os Estados Unidos”.
O risco, segundo Spektor, é que a demora do Brasil leve Europa e Estados Unidos a avançarem em compromissos ambientais e a ganharem a adesão da China. Neste caso, o Brasil é que poderia ficar isolado.
Pelo cargo que terá e pelo tamanho que tem na área em escala mundial, Marina deve ter preferência no tema. Mas, como ex-chanceler, Amorim tem é muito ouvido por Lula em temas de política externa.

