Relatórios da Receita e da Polícia Federal obtidos pelo Bastidor apontam desvios de R$ 47,3 milhões em esquema na Caixa desbaratado recentemente na operação Canal Seguro.
Segundos as evidências, o dinheiro foi desviado da Caixa Seguradora e da corretora Wiz, que detém exclusividade na venda de seguros da Caixa e da qual a Caixa é sócia indireta. A Wiz é a sucessora da corretora Par, que floresceu graças à Caixa. O esquema, de acordo com a PF, durou ao menos entre 2013 e 2016.
Auditores da Receita identificaram fortes indícios de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, entre outros crimes, por meio do rastreamento de repasses da Wiz e da Caixa Seguradora a uma rede de empresas de fachada, escritórios de advocacia e doleiros.
Do outro lado, estavam como destinatários do dinheiro desviado operadores de partidos, como Milton Lyra (PMDB), e os próprios dirigentes da Caixa Seguradora e da Wiz. Os recursos chegavam aos beneficiários finais por meio de imóveis e empresas de fachada, controladas por laranjas e familiares.
As investigações envolvem quebras de sigilos bancários e fiscais, documentos obtidos pela PF em operações de busca e apreensão, além da delação premiada de advogados e operadores especializados em lavagem de dinheiro, como os irmãos Claro e Flávio Calazans, que participaram do esquema.
Apesar da contundência das provas e da extensão das fraudes apontadas pela PF e pela Receita, que envolvem dezenas de pessoas físicas e empresas, a Wiz, companhia de capital aberto, informou ao mercado após a operação que “desconhece qualquer indício da prática dos ilícitos investigados”.
Entretanto, a mesma Wiz havia pagado, sem reclamar, uma autuação da Receita em virtude das operações fraudulentas firmadas com os escritórios Claro Advogados e Calazans Advogados – ambas as bancas colaboraram com as investigações da PF.


