Até a divulgação da nota do Tribunal Superior Eleitoral que nega qualquer acordo com as Forças Armadas, a parte política do governo acreditou que o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, havia cedido aos militares.

A avaliação dentro do governo é que a versão divulgada pela Folha de S.Paulo saiu do Ministério da Defesa. Os militares tentaram pressionar Moraes a aceitar mais cinco das suas sugestões, por insistência do ministro Paulo Sergio Nogueira.

A história da Defesa é que um acordo fechado em 31 de agosto permitiria aos militares fazer uma espécie de apuração paralela em tempo real, a partir de uma amostra de 385 urnas.

E nota, o TSE afirmou que não houve acordo algum, que nada mudou desde o que foi acordado no primeiro semestre e que os boletins das urnas – que os militares dizem que terão acesso – já são acessíveis a todas as entidades fiscalizadoras. O tom duro da nota mostra que a jogada deu errado.

Antes da negativa do TSE, aliados políticos estavam satisfeitos. Avaliavam que o acordo dava um um nó em Bolsonaro, pois obrigaria o presidente a aceitar o resultado das urnas.

Aliados políticos dentro e fora do governo não gostam do discurso golpista de Bolsonaro contra as urnas. Entendem que, se houver um golpe contra a eleição, também serão vítimas.