Uma eventual derrota de Ricardo Nunes em São Paulo será atribuída por bolsonaristas que apoiam a reeleição do prefeito ao marqueteiro Duda Lima, que resistiu a usar a pauta ideológica na campanha.

O que era tratado como improvável, a ausência de Nunes no segundo turno, passou a ser considerado por aliados do prefeito. No bolsonarismo, o discurso dos que insistiram em manter a aliança com o emedebista é o de que a comunicação da campanha foi incapaz de desconstruir o oponente (principalmente Marçal), não soube usar o debate ideológico e tomou decisões estratégicas equivocadas.

Duas delas são repetidas: a primeira tem a ver com a agressão que Duda Lima sofreu de um assessor de Marçal após o debate do Flow. O soco e a repercussão fizeram a intenção de voto no coach subir. Mesmo assim, a campanha de Nunes continuou explorando o assunto. Há críticas também ao fato de o prefeito não conseguir rebater os ataques que envolvem uma suposta agressão a sua esposa. Toda vez, ele sai do assunto sem uma resposta convincente.

Com a ausência de Jair Bolsonaro ao longo da campanha, a possível ida de Nunes para o segundo turno será atribuída principalmente ao governador Tarcísio de Freitas, que não se dobrou à pressão contra o prefeito, a setores evangélicos que resistiram a migrar para Marçal e a quem costurou a aliança. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, depois do episódio do 7 de setembro, passou a distribuir vídeos contra a candidatura do coach.

A justificativa no entorno de Nunes para não abraçar o bolsonarismo durante a campanha tem a ver com a rejeição do ex-presidente na capital paulista. A ideia sempre foi ter um discurso moderado para não perder o eleitor de centro, que historicamente é quem define a eleição em São Paulo.