Nos dois primeiros dos três blocos do debate presidencial da Band, o favorito sumiu. O Lula que dominou a entrevista ao JN na semana passada deu lugar a um Lula acuado e até desnorteado.
O petista chegou a dar tela azul num embate com Jair Bolsonaro. Conseguiu tomar duas invertidas do presidente, que o esculhambou pela corrupção na Petrobras. (A pancadaria pode até não dar voto a Bolsonaro, mas pode, em tese, ajudar a subtrair de Lula.)
Lula também se saiu mal na trocação com Ciro Gomes. Ao insistir que Ciro havia viajado a Paris em 2018 para não votar em Fernando Haddad, Lula se surpreendeu com a resposta: “E tu tava preso!”. Ciro pode não ter ganhado, mas Lula certamente perdeu.
A performance apagada de Lula expõe o conhecido risco que o líder das pesquisas corre ao debater com adversários. O petista tem muito a perder e pouco a ganhar.
A participação no debate, por si, dificilmente muda votos de modo automático, súbito. Mas pode contribuir para um processo de mudança de preferência, a depender do desenrolar da campanha. Ou seja, pode, associado a outros fatos políticos, virar votos.
O Lula que foi ao debate é um Lula, para usar um termo que o petista gosta, sem tesão.

