Em grupos privados de WhatsApp, técnicos do Ministério da Saúde e das principais secretarias estaduais de Saúde expressam desalento, frustração e mesmo desespero quando dialogam sobre as autoridades nacionais e locais responsáveis pelo combate à pandemia. Esses sentimentos atingem, também, a própria população do país.
Prevalece a avaliação de que os brasileiros, após o susto inicial, não levaram e não levam a sério a pandemia. Governantes, com exceções, foram lenientes nas medidas de restrição social e não investiram o suficiente em leitos e equipamentos de proteção. O comportamento do presidente e do ministro da Saúde não requer comentários.
O que mais exaspera os técnicos, no entanto, é a negligência dos brasileiros. Os burocratas tinham a esperança de que a ascensão nos números de infectados mudaria o comportamento da população. Aglomerações, inclusive familiares, diminuiriam – diminuindo, assim, o ritmo de crescimento de novos casos.
Não foi o que aconteceu. Os casos aumentam velozmente, os hospitais, consequentemente, voltam a lotar (já há filas em UTIs em alguns estados) e as mortes diárias por covid, projetam os técnicos, quebrarão recordes antes do final do ano.
Os técnicos, de modo geral, querem recomendar um lockdown nas principais cidades do país. Ou, ao menos, uma quarentena mais rigorosa. Seja qual modelo se escolha, caso se escolha, é imperativo proibir aglomerações de todo tipo e limitar a cinco pessoas os encontros de fim de ano.
Quase nenhum deles acredita que as recomendações serão acolhidas.

