No dia seguinte à exposição de fake news sobre as eleições a embaixadores, mais uma vez Jair Bolsonaro recebeu da coordenação de sua campanha à reeleição dados sobre como o discurso contra as urnas eletrônicas não lhe traz benefícios eleitorais. Em vão. Os políticos saíram do encontro desanimados e convencidos de uma ideia.
O desânimo é causado pela compreensão de que o presidente não vai parar de atacar ministros do Tribunal Superior Eleitoral e de colocar em dúvida a credibilidade do resultado das eleições com mentiras.
A ideia é que Bolsonaro parece sonhar, sim, com um tumulto ao estilo “6 de janeiro de 2020 em Washington” caso seja derrotado. O discurso contra o sistema eleitoral é a forma de manter mobilizados seus apoiadores mais radicais para o momento de agir.
Óbvio para grande parte dos observadores, este pensamento é novidade entre os aliados do presidente. Mesmo assim, na ala política da campanha, Centrão principalmente, nada muda por enquanto.
Chegou-se a sugerir no encontro que Bolsonaro delegue a seus apoiadores (lideranças civis, deputados e senadores da base) os questionamentos às urnas. Mas ninguém acredita que a sugestão do marqueteiro Duda Lima –endossada por Ciro Nogueira e Valdemar Costa Neto– será acatada por Bolsonaro.

