Ao apostar nos ataques contra o processo eleitoral, Jair Bolsonaro deu o sinal para que a sua articulação política se prepare para defendê-lo em acusações de crimes que venham a ser apresentadas na Câmara. O planejamento é fundamental porque, uma vez aceita pelos deputados, o presidente é afastado do cargo.
A missão ficou a cargo do experiente Carlos Henrique Sobral, nomeado nesta semana pela ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, como seu número dois no ministério.
Ele atuou com Eduardo Cunha na presidência da Câmara durante o processo que afastou a presidente Dilma Rousseff e culminou no impeachment. Depois, foi para o governo de Michel Temer pelas mãos de Geddel Vieira Lima.
No governo Temer, na Secretaria de Governo, Sobral ajudou o então presidente a vencer duas denúncias contra ele na Câmara. A primeira foi em agosto de 2017, e venceu por 263 a 227. Depois, em outubro do mesmo ano, venceu por 251 a 233.
Agora, a missão de Sobral é blindar o presidente na Câmara contra eventuais denúncias que podem levar à inelegibilidade.
Ontem, segunda-feira 2 de agosto, os ministros do TSE aprovaram por unanimidade o encaminhamento ao STF de notícia-crime contra Bolsonaro para investigar possível conduta criminosa no âmbito do inquérito das fake news. Acompanhará o ofício um link da live realizada pelo presidente em 29 de julho.
Nesse caso, Bolsonaro também poderá ser afastado do cargo se a Câmara autorizar o andamento do processo criminal.
Além da notícia-crime encaminhada ao STF, os ministros do TSE aprovaram a abertura de inquérito para apurar denúncias de fraude no sistema eleitoral. Entre as justificativas para essa decisão está “relatos e declarações, sem comprovação, de fraudes no sistema eletrônico de votação, com potenciais ataques à democracia e à legitimidade das eleições”.

