Um deputado petista, gaiato, definiu Aloízio Mercadante, presidente do BNDES, como o escorpião da fábula “O Escorpião e o Sapo”. “É mais forte do que ele”, disse, falando sobre o fogo amigo contra Fernando Haddad, ministro da Fazenda.
Mercadante, diz o petista, gosta de ter prestígio com o chefe —Lula, no caso— e é neste contexto que ele compete com Haddad sobre o “novo arcabouço fiscal” a ser proposto pelo ministro da Fazenda.
Na fábula, o escorpião pede ajuda ao sapo para atravessar o rio. No entanto, no meio do caminho, pica o sapo. “É a minha natureza”, diz. Os dois morrem afogados.
Na semana passada, Mercadante disse que o BNDES fará em março um seminário internacional, que discutirá o arcabouço fiscal que Haddad estará prestes a enviar ao Congresso. Disse que poderá fazer críticas e sugestões. Haddad será convidado a ir.
Trata-se claramente de uma armadilha: Mercadante estará na posição de criticar o que Haddad já terá feito. Mercadante é tido como uma sombra para Haddad na Fazenda.
O parlamentar lembra da gestão de Dilma Rousseff, quando Mercadante foi queimando um a um os conselheiros da presidente, restando quase que somente ele. O fim todos sabem: impeachment.
Para o deputado petista, Mercadante adoraria substituir Haddad apenas pelo prestígio, porque dificilmente toparia trocar seu salário de presidente do BNDES, que chega facilmente aos 100 mil reais, pelo de ministro, que não pode passar dos 30 mil.
“Teria de ocupar todos os conselhos possíveis e faltaria jetons para os companheiros”, diz, referindo-se à remuneração dada aos conselheiros de estatais, utilizados para turbinar o salário de ministros. “Ninguém quer isso”, diz.

