Encontrada pela Polícia Federal na casa do ex-ministro Anderson Torres, a minuta de um decreto que tinha o objetivo de melar o resultado da eleição de 2022 tende a isolar ainda mais o ex-presidente Jair Bolsonaro e os parlamentares bolsonaristas. A descoberta do documento tornar mais constrangedor e complicado politicamente apoiar Bolsonaro.
Pesa contra Bolsonaro não só a barbárie cometida por seus seguidores em Brasília no dia 8, como a revelação de que ele preparava um golpe de estado. Apoiar Bolsonaro quando tinha poder e fazia discursos antidemocráticos era constrangedor; agora que ele está fora do poder e é apenas uma ameaça à democracia é arriscar a própria sobrevivência política. Bolsonaro está mais tóxico do que nunca.
Com os bons resultados na eleição, a perspectiva da bancada bolsonarista era de fazer uma oposição feroz contra o governo Lula, capaz de inviabilizar parte de suas ações por acordos com outros partidos. Tinham a seu lado a força de Bolsonaro e o impulso dos seguidores. Agora os parlamentares bolsonaristas são tão tóxicos quanto seu líder no Congresso.
O governo Lula sai ganhando – e muito – com tudo o que aconteceu. Fora um punhado de bolsonaristas radicais, não há parlamentar que apoie golpes de estado. Não significa que Lula ganhará uma enorme bancada de apoiadores. Significa que o governo terá mais margem para acordos com parlamentares de partidos que antes poderiam votar contra, porque tinham o bolsonarismo como opção do outro lado. Esta opção ficou menos atraente.

