No dia em que o Brasil completou 200 anos de indpendência de Portugal, o país ficou sem comemoração oficial. Em vez disso, os desfiles cívico-militares, em boa parte das cidades, se tornaram palco para comícios a favor de Jair Bolsonaro.

O Bastidor acompanhou a movimentação ao longo do dia e traz um resumo dos fatos mais importantes deste 7 de Setembro. Veja abaixo os principais destaques:

  • Em Brasília, a manhã de Bolsonaro começou muito antes da saída do Alvorada para os desfiles. Pela manhã, assessores orientaram o presidente para evitar nos discursos temas que pudessem ensejar um ensaio de golpe.
  • A chegada à Esplanada dos Ministérios teve a presença de apoiadores ilustres, como Silas Malafaia e Luciano Hang. Por outro lado, o mundo político entendeu o recado passado por Arthur Lira, Rodrigo Pacheco e Luiz Fux, que não estavam no palanque montado para o presidente, como tradicionalmente ocorre.
  • participação massiva de apoiadores de Bolsonaro em Brasília pode ser considerada uma vitória política para o presidente. As imagens, certamente, serão usadas na campanha dele nos próximos dias, como demonstração de amplo apoio popular.
  • Por outro lado, a suposta popularidade no desfile de Brasília e na motociata no Rio de Janeiro não teve o mesmo impacto nas redes sociais. Durante todo o dia, pouco se falou positivamente do presidente no Twitter, que não chegou a estar entre os assuntos mais comentados do dia. O mesmo aconteceu nas pesquisas do Google. O ex-presidente Lula teve mais destaque durante o dia.
  • Na capital federal, o desfile teve de tudo: desde as tradicionais passagens militares e de estudantes da cidade, até a bizarra aparição de 27 tratores, representando o suposto apoio do agronegócio ao presidente, e de uma instituição que promove o homeschooling. Militares se irritaram com o uso político do desfile.
  • O discurso de Bolsonaro em Brasília foi feito pensando diretamente nos eleitores. Seguindo a sugestão dos assessores da campanha, terceirizou as palavras de ordem contra o STF aos apoiadores que participaram. Mas quase que ele não falou.
  • A estratégia de Bolsonaro de usar o feriado para se promover foi claramente acertada. Apoiadores do presidente dizem que isso deve ser usado para pressionar Lula a colocar nas ruas o mesmo número de pessoas. No entanto, já há quem critique a ação.
  • Bolsonaro seguiu recomendação de sua campanha e não xingou nenhum ministro do Supremo. O que não quer dizer que tenha feito um discurso moderado.