Lideranças do PT vêem Arthur Lira no que acreditam ser jogo de cena nos pedidos impossíveis do líder do União Brasil, o deputado Elmar Nascimento, ao governo Lula. O objetivo da jogada de Lira seria ganhar duplamente: levar um cargo relevante e ganhar na divisão de forças na Câmara.
Neste jogo, Lira ganha no curto prazo com o que o governo oferecer a Elmar, seu preposto na negociação; ganha também no longo prazo se bloquear a entrada do União Brasil no bloco governista. Sem o União, a base do governo fica menor e não terá vantagem sobre a oposição, liderada pelo PL. Isso ajuda demais Lira, que será reeleito presidente da Câmara.
Por tradição no Congresso, a maior bancada parlamentar tem a prerrogativa de indicar, entre outros, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante.
Não só isso. Lira tem dito a seus interlocutores que quem tiver a maior bancada no bloco que o reeleger presidente da Câmara, terá a prerrogativa de relatar o orçamento do ano que vem, o primeiro negociado pelo governo Lula.
As duas posições podem dar muita dor de cabeça para o governo. Para não ficar exposto, o PT tenta formar um bloco com o União Brasil, incluindo já os partidos que apoiaram a eleição de Lula. O líder do União Brasil, porém, passou a pedir muito e pedidos impossíveis.
Além de Codevasf e Banco do Nordeste, como informado pelo Bastidor, Elmar Nascimento incluiu na lista de pedidos a Superintendência de Seguros Privados (Susepe), a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Juntos, os órgãos têm orçamento de quase 3 bilhões de reais. Com qualquer naco daí, Elmar Nascimento e Arthur Lira saem ganhando. Mas o presidente da Câmara, enxerga o PT, quer mais.
Lira sabe que o governo não poderá concentrar todos os órgãos ao comando de um único partido, o que pode inviabilizar o bloco com o União Brasil. E é, no longo prazo, sem o bloco, que o presidente da Câmara também ganha.
Não tendo o controle sobre áreas estratégicas, nem a garantia do voto dos parlamentares do União Brasil, o governo dependerá da ajuda de Lira sempre que estiver em jogo alguma votação importante.
O movimento do presidente da Câmara, percebido desde já por petistas, é de ganhar agora e ganhar depois.

