A vitória de Ricardo Nunes, do MDB, sobre Guilherme Boulos, do PSol, neste domingo (27), por 60% a 40% dos votos, não surpreendeu a ninguém e deveria ser um momento positivo para o governador do estado, Tarcísio de Freitas, principal cabo eleitoral do prefeito de São Paulo durante a campanha à reeleição. Mas Tarcísio cometeu um erro que trará consequências políticas.

Após votar pela manhã numa escola, Tarcísio disse sem ter provas que a polícia havia apreendido bilhetes em que integrantes do PCC recomendariam voto em candidatos. Segundo Tarcísio, em São Paulo, a ordem era para votar em Guilherme Boulos.

Foi um golpe baixo. Na realidade, a Polícia Civil ainda investiga se os bilhetes citados em um relatório da Polícia Militar foram realmente escritos por integrantes do PCC. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo disse que não recebeu nenhuma informação da polícia sobre o relatório.

Na prática, o governo de Tarcísio e a candidatura de Nunes tiveram cerca de um mês para avisar à Justiça Eleitoral sobre o caso ou para divulgar o fato durante a campanha. Isso não aconteceu.

Guilherme Boulos negou. A equipe de advogados de sua candidatura entrou na Justiça Eleitoral com uma ação em que pede a inelegibilidade de Tarcísio e de Nunes. A ação pode evoluir, mas sua tramitação será lenta e são pequenas as chances de gerar maiores consequências.

Sozinho, Tarcísio ofuscou a vitória que lhe daria mais força para ser candidato a presidente em 2026. A imagem que fica para políticos é que o governador acertou um golpe baixo no adversário – como agravante, fez isso quando Boulos já estava derrotado e sem chance de defesa.