Ninguém na articulação de Lula está enganado sobre a movimentação na Câmara. A formação de novos blocos não significa ampliação automática da base de apoio do governo na casa.
Mais. Ainda que Lula decida incluir Republicanos e PP no primeiro escalão do governo, a dificuldade sobre a entrega de votos de suas bancadas, a exemplo do que já ocorre com União Brasil e PSD, permanecerá.
O governo sabe que o bloco de 142 deputados formado por Podemos, MDB, PSD, PSC e Republicanos não será da base aliada. O estímulo para que o grupo saísse ocorreu porque, enfraquecendo parcialmente Arthur Lira, facilitaria a articulação diretamente com outras lideranças.
O mesmo ocorre com a eventual formação de um bloco mais próximo a Lira, composto por PP, PSB, PDT e a federação PSDB/Cidadania. Embora tenha o PSB e o PDT, o governo não espera que o conjunto de parlamentares se alinhe totalmente ao governo.
O presidente da Câmara tenta fortalecê-lo e começou a articular a inclusão de União Brasil, Solidariedade e Patriota. Se confirmado, será a maior bancada da casa, podendo chegar a 163 deputados.
Independente dos blocos formados ou em formação, haverá parlamentares nas legendas dentro dos blocos que permanecerão na oposição.

