O advogado Paulo Rebello, indicado recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro para a Presidência da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS, é homem de confiança dos chefes do PP e de empresários das operadoras de saúde. Não se trata, portanto, de uma indicação solitária do deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara.

Paulinho, como é conhecido em Brasília, desfruta de boas relações com Ciro Nogueira e Aguinaldo Ribeiro, entre outros. Segundo fontes com conhecimento direto do assunto, Paulinho respeita bastante o fundador da Qualicorp, José Seripieri Filho, o Júnior.

Embora tenha fechado delação com a Procuradoria-Geral da República, Júnior ainda é investigado pela Polícia Federal. Delegados e procuradores com conhecimento do caso e, também, da colaboração, pretendem prosseguir nas investigações. Avaliam que o empresário omitiu informações relevantes na colaboração firmada com a PGR.

Paulinho, por sua vez, antes de entrar na ANS, ocupou cargos altamente estratégicos, desde 2012, em pastas comandadas pelo PP – entre elas, os Ministérios das Cidades, da Integração e da Saúde. O período coincidiu com suspeitas de corrupção do partido nos ministérios.

Para virar presidente da ANS, Paulinho, hoje diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da agência, tem o apoio do centrão e de empresários influentes do setor de saúde. Ainda precisa ser sabatinado no Senado.

Atualização às 15h24:

A defesa de José Seripieri Filho enviou pedido de direito de resposta no qual afirma que “não há e jamais houve” algum “envolvimento ilícito” entre Paulo Rebello e Júnior, “como sugere” o Bastidor, segundo o advogado Raul Leite Cardoso, que representa o empresário.

O leitor pode verificar acima que não há qualquer sugestão nesse sentido.

O advogado de Seripieri Filho assevera que a reportagem “especula” que o delator omitiu informações relevantes em sua colaboração, “como se tivesse mentido às autoridades para proteger determinadas pessoas”. “Isso também nunca ocorreu”, diz o texto do advogado, referindo-se, depreende-se, ao ato de mentir citado somente na missiva dele. Em sua carta, Seripieri, por meio de seu advogado, não nega claramente ter omitido informações aos investigadores.

O leitor pode verificar acima que a reportagem limita-se a afirmar que delegados e procuradores envolvidos nas investigações avaliam que Seripieri omitiu informações relevantes no acordo de colaboração premiada fechado com a PGR.

Por ocasião da missiva de Seripieri Filho e à guisa de esclarecimento ao leitor, ressalte-se que a colaboração premiada é um instrumento legal no qual o criminoso firma voluntariamente, junto ao Ministério Público e à Justiça, sua disposição de confessar – e cessar – suas atividades delitivas. Compromete-se a ressarcir os cofres públicos em razão de suas práticas criminosas e se obriga a empreender todos os esforços possíveis para colaborar efetivamente com o correto deslinde de investigações penais.

Atualização às 15h de 8 de fevereiro de 2023:

Por ordem do juiz Helmer Augusto Toqueton Amaral, da Oitava Vara Cível de São Paulo, o Bastidor publica o seguinte direito de resposta: