Não há chance de o presidente Jair Bolsonaro se desvencilhar de Roberto Jefferson. Zero. Há fotos. Jefferson representa tudo o que o presidente defende em sua campanha e vida política. É identificado com Bolsonaro pelos eleitores que o conhecem. Não tem jeito.

Em última instância, Roberto Jefferson é o que o Bolsonaro defende um cidadão que ataca o PT, critica a corrupção e tem armas para sua “autodefesa” e de sua propriedade – no seu caso, um arsenal bastante caro e sofisticado. Seu erro foi ter atirado na Polícia Federal…

Por isso, Bolsonaro, seus auxiliares e os bolsonaristas piscaram ao tratar do episódio. O presidente demorou a acertar o tom da condenação ao ato criminoso de Jefferson. O titubeio mostra como Bolsonaro e os seus ficaram divididos sobre o que fazer – e ficar dividido diante do que houve revela o alto índice de radicalismo da turma, que é tóxico para a maioria do eleitorado.  

Ficou péssimo para Bolsonaro do ponto de vista institucional. Outra coisa, no entanto, é o impacto eleitoral.

É difícil crer que eleitores de Bolsonaro o abandonem por sua reação diante do que fez Jefferson. Bolsonaristas encontrarão algum argumento para defender o presidente, algo como “voto no Bolsonaro, não no Roberto Jefferson”. Adeptos sempre têm argumentos racionais para suas preferências subjetivas.

Bolsonaro está ameaçado na pequena parte do eleitorado que está dividida, indecisa. As mulheres, fatia do eleitorado que mais repudia a política armamentista do presidente, podem rejeitar um pouco mais Bolsonaro após o episódio.

Eleitores identificados com a terceira via, que votam em Sikmone Tebet, Ciro Gomes ou algum outro e optam por Bolsonaro por rejeição ao PT, tendem a se assustar com a diferença entre o que toleram e o bolsonarismo como ele é.

A grande questão do final da eleição é se os eleitores temem mais a volta de Lula e do PT ou a continuidade de Bolsonaro e do bolsonarismo. O ato tresloucado de Roberto Jefferson pode fazer alguns pensarem mais sobre o que é pior na sua visão.

A campanha de Lula usará o episódio à exaustão na sua propaganda. Mesmo assim, numa eleição com votos tão consolidados entre os dois lados, o episódio pode não provocar mudanças significativas.