Ao desembarcar no Brasil nesta quinta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro cria um incômodo para o governo Lula. Bolsonaro tem condições de aproveitar a maré de erros do governo Lula para minar sua popularidade. A oposição bolsonarista não é das melhores, mas tem recebido enorme ajuda dos seguidos equívocos do presidente e do PT.
Por diversos fatores, este é o primeiro governo que não desfruta de um período inicial favorável, com força no Congresso. Ao mesmo tempo, Bolsonaro não tem freios. Assim como não seguiu o protocolo dos antecessores na Presidência da República e não foi um presidente normal, Bolsonaro não será um ex-presidente normal, que fala pouco e some. Se não teve freios nem com as obrigações e responsabilidades do cargo, não é na figura de opositor e sem responsabilidades que os terá. Esta combinação favorece Bolsonaro.
É cedo para falar que Bolsonaro vai liderar a direita, tanto seus apoiadores quanto os parlamentares no Congresso. Ao se esconder na Flórida desde 30 de dezembro, Bolsonaro mostrou que não é aquele líder que luta e topa sofrer consequências; é alguém que faz o melhor para si e aceita ser seguido, mas não faz algo por seus seguidores.
Bolsonaro perdeu parte do encanto, mas a falta de alguém melhor deve ser suficiente para ajuda-lo a se restabelecer. Os governadores Tarcísio de Freitas e Romeu Zema são citados como seus sucessores, só que nas ruas ainda estão longe de serem alguém perto de Bolsonaro. O lugar de líder da oposição ainda é dele.
Contra Bolsonaro estão 16 processos no Tribunal Superior Eleitoral, sendo que basta um para torná-lo inelegível – algo bem possível atualmente. Há também o escândalo das joiais: Bolsonaro já foi convocado pela Polícia Federal a depois no dia 5, uma semana após sua chegada. A lei está contra Bolsonaro e, desta vez, ele não tem como mover delegados, ministros, etc. Poderá fazer barulho e incomodar nas ruas e nas redes, mas terá de se preocupar com advogados.

