Jair Bolsonaro repete com cada vez mais frequência a frase que só sai da Presidência da República “preso, morto ou vitorioso”. A versão varia de acordo com a plateia. Ele já usou a frase em referência à possibilidade de deixar o governo antes do fim do mandato ou após as eleições do ano que vem.
A última vez em que repetiu a frase foi durante a reunião com o Ministério de Minas e Energia, nessa semana, para discutir o aumento da bandeira vermelho 2 – a nova tarifa de escassez hídrica. A frase, sem propósito, foi proferida num contexto de que venceria as eleições do ano que vem.
A insistência na repetição da frase tem preocupado seus auxiliares. De uma construção quase espontânea meses atrás e dita internamente, passou a se tornar, na avaliação de quem convive com o presidente, quase como uma verdade, conforme sua crença conspiratória aumenta.
Um amigo de Bolsonaro listou ao Bastidor a pressão a que ele está submetido. Cita desde a crise econômica, com crescimento menor do que o esperado e inflação alta – até o risco de racionamento de energia.
Mas a preocupação maior do presidente é outra. Bolsonaro muda de humor quando fala que é alvo de investigação do inquérito das fake news, do Supremo Tribunal Federal e diz ter certeza de que o ministros Alexandre de Moraes o quer preso. Também reclama da CPI da Pandemia – o relator da comissão, o senador Renan Calheiros, o acusará, entre outras coisas, de cometer crime contra a saúde pública.
O seu filho zero dois, como chama o vereador Carlos Bolsonaro, também é motivo de preocupação. Carlos está duplamente ameaçado. Há o inquérito das fake news no STF e o das rachadinhas no Ministério Público do Rio de Janeiro. Na opinião do pai presidente, o seu zero dois é, psicologicamente, o mais vulnerável dos filhos.
Completa a lista Renan Jair Bolsonaro. Por conta da CPI da Pandemia, volta ao centro de suspeitas de tráfico de influência, com um agravante. De acordo com o amigo presidencial, Bolsonaro teme uma reação da ex-mulher e mãe de seu quarto filho, Ana Cristina.
Ela, diz a fonte, sabe demais e esteve envolvida diretamente na construção do patrimônio de Jair Bolsonaro e na organização dos gabinetes dos filhos do presidente. “Se ver seu filho ameaçado, Ana Cristina pode por tudo a perder”, diz.

