A crise entre o governo e o presidente da Câmara, Arthur Lira, vai durar e deve ter mais ameaças. Mas, na essência, ficará em suspenso por algum tempo. Como acontece desde que tomou posse, o presidente Lula usa o tempo para lidar com Lira. Joga para só tratar da situação de verdade depois do dia 20.

Desde segunda-feira, Lira fez um discurso inflamado contra o governo e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; assinou um requerimento para que a ministra da Saúde, Nísia Trindade, explique como gastou recursos que os deputados queriam; também não fará reuniões com líderes partidários esta semana; e ameaça paralisar tudo até ser atendido.

Lira quer que o governo fique ao seu lado na sucessão da presidência da Câmara. Por seu lado, Lula fingiu não ter ouvido a tentativa de derrubar Padilha e o Ministério da Fazenda cancelou reuniões com Lira.

Apesar do clima tenso, a partir de amanhã o Congresso caminha para o Carnaval e só voltará a andar a partir do dia 19. Lula embarca para a África no dia 14 e voltará no dia 20. Antes disso, nenhuma solução.

Lula conta com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para não convocar sessões do Congresso até o final do mês e, assim, evitar que sejam votados vetos presidenciais, como o que tirou R$ 5,6 bilhões das emendas de parlamentares do orçamento.

Adversário de Lira, Pacheco tem sido o aliado do governo na disputa. O tempo corre contra Lira: o ano legislativo termina, na prática, em julho, quando deputados sairão de recesso e se dedicarão às eleições municipais. O governo quer ganhar tempo, um recurso mais escasso para Lira que para Lula.