Valdemar Costa Neto, dono do PL, se equilibra num jogo duplo. Enquanto diz publicamente que vai entrar com ação no Tribunal Superior Eleitoral contra urnas eletrônicas, envia recados aos ministros da corte superior eleitoral dizendo que não questionará a eleição.

Ao mesmo tempo em que ajuda Jair Bolsonaro, dando-lhe argumentos – ainda que falsos – para dizer que foi roubado no pleito e insuflar seus apoiadores nas ruas, jura a interlocutores moderados que está apenas tentando conter os radicais em seu partido e que não quer problemas com Alexandre de Moraes e o TSE.

Numa conversa recente, disse que deve entrar com ação no TSE por pressão de Jair Bolsonaro e seus aliados, que ameaçam romper acordos internos, no futuro governo de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, atrapalhar a eleição de aliados de Valdemar nas mesas diretoras e comissões na Câmara dos Deputados e no Senado.

Valdemar se diz até ameaçado de golpe dentro do PL —nem seus amigos acreditam nisso. A análise é que, ao fazer jogo duplo, Valdemar tenta passar a imagem de responsável para os ministros do TSE ao mesmo tempo em que atende às pressões de bolsonaristas.

A certeza é que Valdemar não quer dividir seu partido com o grupo de Bolsonaro. Antes, disso, porém, precisa manter a casa em relativa ordem.