Por falta de aviso não foi: André Mendonça, dois meses após ser indicado ao Supremo, segue no limbo imposto por Davi Alcolumbre, com apoio do centrão, de Flávio Bolsonaro e de Frederick Wassef.
Apesar da pressão pública do patrono e pastor Silas Malafaia, um dos aliados de Bolsonaro que mais criticam duramente o Supremo, esse grupo não dá sinais de que cederá. Informalmente, o próprio presidente quer distância do assunto – tanto que o Planalto não fez qualquer esforço para forçar a sabatina de Mendonça na CCJ do Senado. Bolsonaro se comprometeu a enviar o nome de Mendonça ao Senado. Não se comprometeu a trabalhar por ele.
A turma contrária ao ex-AGU tem convicção de que, uma vez no Supremo, Mendonça não será leal ao presidente e à sua família. Quer um novo Kassio – é assim que qualificam o candidato ideal.
Num momento em que a família Bolsonaro está acossada pelo tribunal, a prioridade é ter aliados no chamado terreno inimigo. É o argumento Wassef.
Esse grupo está trabalhando, com grande discrição, nomes dito leais e que possam ser aceitos por parte da bancada evangélica.
Alcolumbre pode até mudar de ideia. Mas, há meses, repete que Mendonça não irá ao Supremo. Até agora, cumpriu a promessa, sem ser incomodado pelo Planalto.
Quem trabalha nas tratativas secretas aparenta estar tranquilo quanto ao desfecho do caso. É gente que não perdeu nenhuma, até agora, no governo Bolsonaro.

