A despeito das manifestações golpistas em frente aos quartéis e da animosidade que alguns parlamentares – eleitos ou deixando os cargos – apresentam em relação à posse de Luiz Inácio Lula da Silva, representantes de vários setores têm se encontrado regularmente com integrantes da equipe de transição, discutindo estratégias para os próximos quatro anos.
Nas últimas semanas, a equipe liderada por Geraldo Alckmin está realizando reuniões com diversas entidades, com o objetivo de ouvir as demandas e alinhar as possibilidades de entregar os pedidos, quando possíveis.
Os encontros têm desde entidades da sociedade civil, que pedem a atenção do futuro governo a questões de direitos sociais, até representantes de empresários. Há pedidos de investimentos em áreas estratégicas até a readequação de impostos (incluindo o aumento) para algumas empresas.
Na semana passada, por exemplo, a associação que representa as empresas que instalam e mantêm a infraestrutura de telecomunicações no Brasil encaminhou pedidos ao novo governo para que seja aumentada a carga tributária de gigantes da tecnologia, como Facebook, Twitter, Google, Amazon, Netflix e outros.
Segundo a entidade, as chamadas big techs utilizam as redes instaladas de internet para faturarem alto e pagam impostos menores do que as empresas que precisam manter as estruturas funcionando. A associação quer que a carga tributária seja equivalente nas duas pontas da cadeia.
Também na semana passada, o Instituto Questão de Ciência (IQC) se reuniu com a equipe de transição pedindo mais investimentos no futuro governo para a área de pesquisas científicas. Nesta quarta-feira, a ONG Habitat para a Humanidade apresentou propostas para evitar o despejo de famílias de baixa renda em imóveis financiados pela Caixa.
Ainda é cedo para saber quais desses grupos serão efetivamente atendidos pelo futuro governo, mas a movimentação mostra que a conversa e a aceitação ao resultado das urnas é a melhor forma de conseguir lutar pelas causas que se acredita.

