A movimentação do economista Luciano Coutinho tem chamado a atenção de petistas. Ele se tornou o principal lobista da indústria bélica brasileira. Como foi presidente do BNDES, tem acessos. O principal deles a Lula. Seu prestígio é tanto que tem elaborado um plano de investimentos no setor.

Coutinho participa de reuniões com o ministro da Defesa, José Múcio, e com o vice-presidente, também ministro da Industria e Comércio, Geraldo Alckmin. O economista já se reuniu até com os comandantes das Forças Armadas, levando o presidente da Fiesp, Josué Gomes.

Mesmo sem cargo, Coutinho ganhou carta branca de Lula para tratar do tema com membros do governo. Múcio e Alckmin foram orientados pelo presidente a ouvi-lo. Nesta quarta (2), por exemplo, haverá novo encontro de Lula com o economista e os ministros da Defesa e da Industria.

Segundo auxiliares do presidente, é de Coutinho a ideia de Lula de aumentar o orçamento da Defesa para 2% do PIB até o final de seu mandato. É o percentual que a Otan considera ideal para seus membros. O Brasil não integra o grupo. E parte dos países da organização não cumpre a meta.

Lula se convenceu de que aumentar a participação do PIB no orçamento da Defesa é o jeito de retomar a indústria bélica, além de ganhar a simpatia dos militares.

Segundo petistas ouvidos pelo Bastidor, o interesse de Coutinho no setor e seu acesso facilitado a informações estratégicas, como a Defesa Nacional, que envolve bilhões de reais, não haveria problema se ele estivesse no governo.

O problema, diz um petista que acompanha o assunto de perto, é que o economista, sócio de uma consultoria, a MTempo Capital, defende, neste momento, apenas interesses privados.