A notícia de que Jair Bolsonaro recebeu da Arábia Saudita um segundo estojo com presentes avaliados em cerca de 400 mil reais preocupa a família do ex-presidente sobre os rumos da investigação da Polícia Federal.
Uma das suspeitas dos investigadores sobre a prática de rachadinha envolvendo os gabinetes da família Bolsonaro era a de que uma parte do dinheiro obtido ilegalmente era lavado com joias, além de imóveis.
Há um histórico familiar para isso. Reportagem da revista Veja mostrou, em outubro de 2018, que na ação em que pedia pensão de Jair Bolsonaro, sua ex-mulher Ana Cristina Siqueira Valle o acusou de roubar do cofre do casal joias avaliadas hoje em 1,5 milhão de reais.
O Estadão informou nesta terça-feira (7) que, além das joias que ficaram retidas na alfândega do aeroporto de Guarulhos, havia um estojo com relógio, par de abotoaduras, caneta em ouro rosa, anel e um masbaha (uma espécie de rosário islâmico) também em ouro rosa.
Estes presentes da Arábia Saudita entraram no país sem passar pela Receita Federal e foram entregues diretamente a Bolsonaro, segundo seu ex-ajudante de ordens, tenente-coronel do Exército Mauro Cid, disse ao jornal.
De acordo com fontes próximas à família do ex-presidente, o vereador Carlos Bolsonaro acha que o pai deve permanecer nos Estados Unidos por mais tempo, ao menos até entender que rumo vai tomar a investigação da PF.
Já o senador Flávio Bolsonaro, o zero um do ex-presidente, o retorno ao país vai ajudá-lo a evitar “injustiças”. Atuando na oposição a Lula, se necessário ele poderá acusar a Polícia Federal de estar sendo instrumentalizada pelo governo de seu adversário.
A história também opôs os filhos de Bolsonaro à ex-primeira-dama Michelle, que disse a pessoas próximas não ter nada a ver com os presentes recebidos da Arábia Saudita. Os filhos consideraram “trairagem” da mulher do pai.

