É estratégica a insistência de Jair Bolsonaro e de seus aliados em atacar o Tribunal Superior Eleitoral e, em especial, o ministro Alexandre de Moraes. O Planalto e partidos da base, como PL e PTB, têm pesquisas que mostram apoio expressivo de parte dos eleitores às críticas à cúpula do Judiciário.

Na análise de conselheiros do presidente, o sentimento hostil ao Supremo é uma arma poderosa, que se comprova eficaz reiteradamente na disputa por engajamento e audiência nas redes sociais. Moraes é qualificado como um vilão perfeito, nas palavras de um marqueteiro, para a estratégia eleitoral de Bolsonaro e de seus aliados – identificados como vítimas do ministro, segundo o mesmo linguajar.

Das principais campanhas bolsonaristas, advêm a convicção de que o embate com o Supremo e o TSE, personificados na figura de Moraes, renderá votos – muitos votos. Aliados do presidente acreditam que podem fazer uma bancada mais numerosa se mantiverem a guerra permanente contra o ministro e os tribunais superiores.

Eles citam Daniel Silveira como exemplo. Afirmam que o deputado do PTB está mais popular do que nunca entre o público-alvo dos bolsonaristas. Se Silveira conseguir escapar do Supremo, será um campeão de votos no Rio, aposta o presidente. (O julgamento do deputado começa nesta quarta. Ele deve ser condenado, a não ser que Kassio peça vista antes, mesmo sendo o revisor do processo.)

O caso de Silveira expõe a dificuldade da estratégia escolhida pelos bolsonaristas. Após dois anos de confrontos, eles sabem que precisam calibrar os ataques: nem tão fortes que possam render ações severas da Justiça – e nem tão fracos que possam virar mero ruído na internet.

Entre eles, a ordem é seguir o tom do presidente, adaptando o discurso de cada momento às falas de Bolsonaro.