Um dos principais beneficiários do orçamento secreto, o deputado Jhonathan de Jesus, é o favorito para ocupar a vaga aberta no Tribunal de Contas da União com a aposentadoria da ministra Ana Arraes. Durante o mandato passado, Jhonatan teve acesso a 140 milhões de reais por meio das emendas RP9, que ganharam o apelido de orçamento secreto pela falta de controle e transparência.
Na prática, um dos maiores usuários desta modalidade, considerada inconstitucional pelo Supremo, terá poder para julgar os recursos que lhe foram destinados. Terá ainda a responsabilidade de julgar contas do último ano do governo Bolsonaro e dos próximos anos do governo Lula.
Filiado ao Republicanos, Jhonatan é o candidato do presidente da Câmara, Arthur Lira, e deve receber apoio do PT e de outras legendas na eleição ao posto. As vagas no TCU entram no balaio das negociações por espaço no governo.
Filho do senador Mecias de Jesus, Jhonathan está no segundo mandato como deputado. Nas últimas eleições, foi o mais bem votado de Roraima, muito graças aos R$ 140 milhões que encaminhou ao estado.
Neste ano, uma das tarefas do TCU será avaliar as contas de 2022 de Jair Bolsonaro. Os ministros precisarão analisar, inclusive, o impacto do orçamento secreto.
Jhonatan concorre com os deputados Fábio Ramalho e Soraya Santos. Se confirmar o favoritismo, será um dos nove ministros do TCU até os 75 anos – tem 39. Na composição do tribunal, três ministros são indicados pela Câmara, três pelo Senado e três pelo presidente da República.
Os salários dos ministros passam de R$ 37 mil mensais. Na Presidência, há um adicional de R$ 1,2 mil. Além dos salários, os ministros ganham uma série de benefícios, como viagens e cursos, quase sem nenhuma fiscalização externa.

