Chamar de “atropelo” a forma como a articulação política do governo vem tratando a reforma ministerial foi apenas um dos recados de Arthur Lira (PP-AL) ao presidente Lula. O outro foi ter desistido de dois encontros com o presidente em uma semana.

Lira se incomodou com o que considera serem tentativas de atravessá-lo nas negociações diretas com deputados do PP e do Republicanos, para a definição de futuros ministérios e nomes que os representarão no governo.

Não é a primeira vez que o presidente da Câmara se zanga. Ele quer deixar claro que quem faz esta interlocução é ele. Desde o início do governo, quer estabelecer este monopólio para si.

Enquanto Lula estava na Europa e Lira no cruzeiro do Wesley Safadão, os deputados André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (REP-PE) foram chamados ao Palácio do Planalto pelo ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais). O presidente da Câmara não gostou, viu no movimento uma tentativa de enfraquecê-lo.

Para o deputado, a articulação do governo tenta minar sua liderança ao atravessá-lo nas conversas. Mais do que isso: ele soube que Padilha tem conversado com outros deputados dos dois partidos para saber quais nomes melhor lhes representariam se fossem escolhidos para cargos no governo.

Durante o encontro dos empresários do Lide, Lira deixou clara sua insatisfação ao afirmar que “esse assunto está sendo, de uma certa forma, atropelado”. “Isso não ajuda na governabilidade. E eu acho que o governo tem que ajudar a se facilitar”, afirmou.