O favoritismo de Davi Alcolumbre para voltar à Presidência do Senado uniu em articulações contrárias à sua candidatura membros do governo Lula, do MDB e do PSD.
Está em curso um movimento que visa não somente a derrota de Alcolumbre na eleição para o comando do Congresso, que ocorrerá em fevereiro de 2025. Há planos para diminuir o poder do senador – que, além de ter a chave da distribuição de boa parte das emendas parlamentares, mantém apadrinhados em cargos estratégicos na administração federal.
Participaram em algum momento das tratativas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e senadores do seu partido; o ex-presidente José Sarney e aliados do MDB; e lideranças petistas. Lula está ciente do que vem ocorrendo. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, por exemplo, ainda não oficializou a Alcolumbre o apoio do PT e do governo à sua candidatura.
As discussões têm relação com o que houve na Câmara. Sempre se considerou muito difícil ter o União Brasil, de Alcolumbre e Elmar Nascimento, no comando das duas casas parlamentares.
Uma possível retaliação do União Brasil ao governo – o partido tem três indicados em ministérios – já foi discutida. O Palácio do Planalto estaria disposto a aumentar o espaço destinado ao PP e ao Republicanos.
O momento crucial para as articulações, considerado por Kassab, é após as eleições municipais. O dirigente partidário aposta no aumento de prefeitos da sua sigla, o que lhe daria ainda mais força no jogo. Nomes como o de Omar Aziz e de Otto Alencar foram cogitados para substituir Rodrigo Pacheco e montar uma frente contra Alcolumbre. Renan Calheiros, embora negue, também não está descartado.

