As pesquisas no Google envolvendo o nome do médico norte-americano Robert Malone dispararam desde o dia 16 de dezembro, quando a Anvisa liberou o uso da vacina da Pfizer para a imunização de crianças de 5 a 11 anos. O especialista é um dos muitos profissionais que se dedicam a espalhar notícias falsas ou enganosas a respeito de imunizantes.
O mais recente capítulo envolvendo Malone foi a exclusão de um vídeo no YouTube, em que ele era entrevistado pelo comediante Joe Rogan, conhecido no Brasil por ser o entrevistador oficial do UFC e por produzir o podcast mais acessado do planeta.
Rogan também é favorável ao discurso antivacina. O vídeo dele foi excluído do YouTube por violar as políticas contra a desinformação da rede gerida pelo Google.
Malone foi um dos cientistas a apontar as possibilidades de criação de vacinas por meio da transferência de trechos de RNA, no fim dos anos 1980, tecnologia que seria aperfeiçoada ao longo do tempo, até se tornar viável. Entre as vacinas que usam essa técnica está a da Pfizer/BioNTech, contra o coronavírus.
A revista Nature publicou, em setembro de 2021, uma ampla reportagem contando a história de Malone e o verdadeiro tamanho da importância do trabalho dele para a criação da técnica.
O cientista alega que a vacina pode promover, entre outros, problemas neurológicos e cardíacos em quem recebe as doses. O problema é que, apesar do conhecimento técnico, centenas de pesquisas ao redor do mundo já derrubaram as teses defendidas por Malone.
No Brasil, os discursos de Malone ganharam força depois da liberação da vacina da Pfizer. O novo guru dos negacionistas brasileiros pode ser encontrado em diversos trechos de vídeos que abarrotam páginas fakes e contas de influenciadores brasileiros.
Quando Malone teve a conta do Twitter excluída, sites de extrema-direita, como o The Rio Times e o Brasil Sem Medo, noticiaram a decisão da plataforma como um ato de censura.
Os argumentos de Malone permearam as falas dos médicos indicados pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), que participaram da audiência pública que discutiu a metodologia de aplicação das doses em crianças.
As mentiras e enganos de Malone e dos seguidores dele já foram desmentidos por diversos órgãos científicos e agências de checagem de fatos no Brasil e em outros países.
A Anvisa reforça que as vacinas oferecidas no Brasil são seguras, e os eventuais efeitos adversos são leves. No caso da vacina da Pfizer, a eficácia na proteção de crianças de 5 a 11 anos de idade é de 90,5%. A aplicação das doses do imunizante nessa faixa etária deve começar no dia 14 de janeiro.

