Integrantes da bancada do PT na Câmara estão convencidos que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem atuado na CPI do MST para deixar o governo Lula refém dos seus poderes.

Os petistas consideram que a comissão, cujo presidente é o tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) e o relator é Ricardo Salles (PL-SP), tem potencial não só de desgastar o movimento, mas também a gestão petista.

Lira se reúne quase que semanalmente com a coordenação do colegiado. É uma forma, diz um deputado do PT, de Lira manter influência para que o governo recorra a ele no avanço das investigações. Nenhuma decisão é tomada sem sua anuência.

Deputados de esquerda da CPI avaliam que, em algum momento, será inevitável recorrer a Lira, já que a composição do colegiado é desfavorável: a maioria é de bolsonaristas e parlamentares ligados ao agronegócio e à bancada da bala. Dos 27 titulares, menos de 10 são aliados do movimento e do governo. “Dentro da CPI não há muita perspectiva”, diz um deputado.

Há uma insatisfação também com aliados como o União Brasil que, apesar de comandar três ministérios, indicou deputados de forte oposição ao governo – o vice-presidente da CPI é Kim Kataguiri.

Os aliados do movimento prevêem que a CPI, passados os 120 dias projetados para a comissão, deve ser prolongada por mais seis meses. Nesse cenário, o colegiado funcionária até março de 2024.