A articulação política do governo de Lula vai saber em breve o custo de sua base de apoio. Será exatamente quando o Congresso começar a avaliar as medidas provisórias editadas nos primeiros dias do ano.

Uma das que promete ter seu preço cotado é a que devolve o Coaf ao Ministério da Fazenda. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o órgão foi para o controle de Sergio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Quando Bolsonaro desconfiou da lealdade do aliado, e viu que sua família poderia ser envolvida em apurações por movimentações financeiras suspeitas, mudou o órgão para o Banco Central – onde ficou até a troca de governo.

Ao assumir, Lula editou medida provisória que devolveu ao Ministério da Fazenda a ascendência sobre o Coaf. Arthur Lira, presidente da Câmara, porém, se diz contra a alteração.

A resistência, acredita a articulação política de Lula, é uma maneira de se valorizar na negociação para a votação da MP. Agora vai se descobrir o preço de cada votação de interesse do governo.