Sob reserva, Jair Bolsonaro e seus conselheiros mais próximos dizem acreditar que o ministro Edson Fachin, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, é um alvo “fácil e útil”, segundo um deles, em face da estratégia do presidente de tentar queimar a corte e pôr em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas.
O objetivo primário de Bolsonaro é enfraquecer o que ele e seu grupo qualificam de “ala petista” do Judiciário. Para a campanha bolsonarista, é útil ter inimigos (ministros como Fachin, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes) e fundamental mantê-los acuados, na defensiva. É assim, raciocinam os estrategistas do Planalto, que eles cometerão erros táticos – que, por sua vez, poderão ser explorados pelos bolsonaristas. Pensam ser essencial que os ministros permaneçam na “arena política”, também na definição de um deles.
A execução exitosa dessa estratégia, afirmam, enquadrará esses ministros. Consequentemente, o TSE não teria força política para impedir a campanha de Bolsonaro – que já faz campanha abertamente, sem qualquer pudor – nem tomar medidas contrárias aos candidatos do grupo. Quanto mais o TSE precisar se explicar sobre as urnas, ou sentir que precisa se explicar, independentemente do mérito, mais “neutralizado” estará, sob a ótica de Bolsonaro. “Quanto mais eles (os ministros do Supremo) falam, mais mostram o viés esquerdista”, diz um dos estrategistas.
Eles dizem que será cada vez mais fácil associar Fachin e sua defesa institucional das eleições com a defesa dos interesses da campanha de Lula. Apontam o passado do ministro como simpatizante de Dilma e a decisão que livrou Lula de processos criminais. Pretendem explorar essas “vulnerabilidades” nas redes sociais, sobretudo no Facebook, no Twitter e no TikTok. Com isso, querem subtrair legitimidade de qualquer decisão que venha a ser tomada pelo ministro contra Bolsonaro – como acreditam ter feito com Alexandre de Moraes.
Acertada ou não, a estratégia visa a pavimentar a vitória do presidente e de seus aliados em outubro. Em caso de derrota, alicerçaria um discurso de oposição feroz já no dia seguinte à eleição, inspirado no caso de Trump. Embora todos os conselheiros rejeitem qualquer possibilidade de ação golpista, a questão em aberto, por óbvio, é se Bolsonaro desceria voluntariamente a rampa em primeiro de janeiro de 2023.

