O voto do senador Ciro Nogueira (PP-AL) pela aprovação da reforma tributária foi visto por seus aliados como uma dupla mensagem – uma direcionada para seus pares na Câmara, outra para o governo.

Nogueira mantém um discurso de oposição que garante proximidade política de Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo que busca garantir as benesses do governo para seu partido, o PP, do qual é presidente.

O leitor lembra que Ciro esteve envolvido nas escolhas de quem ocuparia cargos no governo Lula e, apesar de ter perdido uma disputa interna sobre o controle da Caixa Econômica Federal, não quer perder a possibilidade de influenciar na escolha dos futuros vice-presidentes do banco.

Ao votar pela reforma tributária no Senado – do PP, apenas ele e o senador Laércio Oliveira deram sim à PEC -, Ciro Nogueira endossa as negociações com o governo tocadas por Arthur Lira (PP-AL). Também prestigia o relator da proposta na Câmara, Aguinaldo Ribeiro, também do partido.

Pensando justamente em situações como esta, foi que ele criou diretrizes para quando o PP poderia votar com o governo: sempre nos momentos em que os interesses econômicos estivessem em jogo contra pautas de comportamento.

Assim, ao menos por enquanto, Ciro terá discurso para se manter publicamente na oposição.