O atentado sofrido pelo candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, provavelmente aumenta as chances de o ex-presidente retornar ao cargo que deixou pela porta dos fundos, em 2021.
O caso ainda está envolto em muitos mistérios sobre a autoria e a motivação. Mas a tentativa de assassinato certamente confere mais peso político a Trump, sobretudo no momento em que o principal adversário, o presidente Joe Biden, está cada vez mais enfraquecido.
Com o atentado, por razões óbvias, Trump passou a receber a solidariedade de políticos de diversos espectros. Desde Biden, que disse estar rezando pelo adversário, até outros membros do partido Democrata e internacionalmente, o republicano passa a se tornar o centro do noticiário, na semana em que a candidatura dele será confirmada pelo partido.
As imagens do atentado ainda ajudam a reforçar o perfil de Trump, de resiliência. Tão logo foi atingido de raspão, saiu do palco com a orelha sangrando e erguendo o punho, em sinal de vitória, enquanto era carregado por um séquito de seguranças do Serviço Secreto. A cena é forte e será, com certeza, explorada pela campanha republicana nos próximos meses.
Esse cenário favorável à Trump surge no momento mais delicado da campanha de Biden. Com uma série de gafes públicas televisionadas para todo o mundo, a cada dia fica mais difícil para que o atual presidente se mantenha na disputa. Ainda é cedo para saber se ele continuará como candidato do partido democrata. As pesquisas apontam que Biden têm chances escassas contra Trump.
Do ponto de vista da violência política, especificamente, Trump se tornou alvo de algo que ele mesmo já foi autor. Em 2021, pouco antes de deixar a Casa Branca, o então presidente estimulou seus apoiadores a invadir o Capitólio. A tentativa de insurreição deixou cinco pessoas mortas, incluindo três agentes que faziam a segurança do prédio do Legislativo americano.
Entretanto, o episódio, que ajudou a retirar o então presidente pela porta dos fundos da Casa Branca, não foi suficiente para eliminar a ameaça que ele sempre representou à democracia. Ao contrário: com uma ampla morosidade, o Departamento de Justiça americano não conseguiu processá-lo pela sua participação na tentativa de insurreição.
Trump, portanto, ao erguer os punhos em meio aos seguranças, ressurge como o provável futuro presidente, de novo. Ganhará os holofotes e a empatia daqueles que preferiam ver o tiro acertando o alvo e, em meio a abraços e sorrisos amarelados, tem tudo para voltar a ocupar a Casa Branca no próximo ano.

